Os instrumentos do Instituto do Rádio da Universidade de Coimbra
Gilberto Gonçalves Pereira

27/Mar/2025

Catálogo digital da exposição: Numa altura em que valorizamos as unidades de I&D nas Universidades e defendemos a sua importância no desenvolvimento do próprio ensino, temos que imaginar o difícil início de um destes centros de investigação, há cem anos atrás. A história do Instituto do Rádio da Universidade de Coimbra começou em Paris, quando, em 1925, Mário Augusto da Silva (1901-1977) iniciou os seus estudos sobre radioactividade, sob orientação de Marie Skłodowska Curie (1867-1934). Aqui, no Instituto do Rádio de Paris, encontrou um laboratório onde era realizada investigação avançada e ensino, num grupo multicultural, liderado por uma mulher inspiradora, já galardoada com dois prémios Nobel. É esse o ambiente que Mário Silva sonhou transportar para a sua Lusa Atenas. Porém, embora tendo-lhe sido concedido espaço e um apoio financeiro inicial (para duas secções, uma na Faculdade de Ciências e outra na Faculdade de Medicina), o projecto não foi oficializado, acabando por se extinguir, por inércia governamental. Cerca de 1937, Mário Silva já tinha a noção clara de que as portas dificilmente se abririam. Porém, foi com o desmantelamento da instrumentação e readaptação das salas para outros fins, que a extinção se tornou irrevogável. Neste trabalho encontram-se expostos alguns dos instrumentos adquiridos para os estudos sobre radioactividade. Na sua grande maioria foram construídos pela casa Charles Beaudouin (1875-1935), construtor que trabalhou em parceria com o casal Curie e com o Instituto do Rádio de Paris. Salientam-se dois instrumentos fabricados nas oficinas do próprio Laboratório de Física da UC.